A poeta e jornalista Marize Castro lança, no dia 18 de setembro, das 17h às 20h, na Pinacoteca Potiguar, em Natal, O salão de Alice B. Toklas, publicado pela Una. A obra reúne vozes de escritoras de diferentes épocas, países e tradições literárias em uma construção que desloca hierarquias e propõe uma leitura da história da literatura a partir das margens. No livro, Marize Castro assume a voz de Alice B. Toklas, companheira de Gertrude Stein e presença fundamental no célebre salão da Rue de Fleurus, em Paris. Ao colocá-la no centro da narrativa, a autora inverte uma posição historicamente secundária e transforma Alice em observadora, anfitriã e guardiã das mulheres que atravessam o salão. “A estrutura é simples: mulheres entram. Dizem. Partem.” O movimento, entretanto, constrói aquilo que a própria autora chama de uma “dramaturgia da memória”. Safo, Emily Dickinson, Virginia Woolf, Anna Akhmátova, Gabriela Mistral, H.D., Mina Loy, Sophia de Mello Breyner Andresen, Gilka Machado, Louise Glück, Ana Cristina Cesar e Alejandra Pizarnik estão entre as muitas mulheres que atravessam o salão. Entre as potiguares, aparecem Nísia Floresta, Auta de Souza, Myriam Coeli e Zila Mamede, aproximando a memória literária do Rio Grande do Norte de uma constelação de escritoras de diferentes épocas e geografias. O salão de Alice B. Toklas trabalha deliberadamente no limite entre citação e invenção. Marize define a obra como um palimpsesto: as citações aparecem em itálico, acompanhadas de notas que indicam suas fontes, enquanto a voz inventada de Alice costura os encontros e produz novas relações entre autoras separadas por séculos e geografias. Mais do que reunir nomes, o livro constrói uma comunidade literária em movimento. Essa concepção aparece em cenas de forte concentração poética. Edna St. Vincent Millay chega “com vinho nos olhos”; Mina Loy escreve num guardanapo com batom; H.D. entra “com granadas e deusas no colo”. O salão se torna um lugar em que biografia, leitura, imaginação e memória se encontram e se transformam. Ao final, quando as visitantes já partiram, permanecem apenas Alice e Gertrude. As xícaras estão em repouso, a música de Satie ocupa o ambiente e Alice caminha entre as sombras fechando as portas com cuidado. Mas não as tranca. A imagem mantém o salão aberto à possibilidade de outras chegadas. Poeta e jornalista nascida em Natal, Marize Castro é autora de Marrons Crepons Marfins, Rito, poço. festim. mosaico, Esperado ouro, Lábios-espelhos, Habitar teu nome, A mesma...
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